sábado, 27 de fevereiro de 2010

Aleluia! Eu cheguei

O vôo saiu às três e meia da manha. Enquanto eu via o meu Recifinho do alto, comecei a cantar baixinho “Sou do Recife, com orgulho e com saudade”.

Foi uma coisa quase automática, mas que foi. Cinco minutos depois, a Veneza já tinha sumido e lá estava eu, enfrentando turbulência rumo a Guarulhos.

Tinha um viado daqueles estilosos logo ao meu lado, querendo puxar assunto. Comecei bem. Enfim! Peguei no sono!

Guarulhos é gigante cara! A minha salvação lá foi um posto da Telefônica. Paguei caro parar ter acesso a NET, mas também passei umas 5 horas jogando no computador para queimar o tempo. Cheguei por lá eram seis da manha, tomei café na Mac escutando o sotaque do paulista me chamando de “moço” e “senhorrrr”.

Na saída eu passei pela PF. Não me perguntaram muita coisa e eu comecei a perceber como um visto é uma coisa importante. Vale a burocracia de uma embaixada

Treze horas depois da minha chegada eu estava dentro de um avião da TAP. Quatro turbinas. Bem grande! Boeing alguma coisa. Algum problema no trem de pouso fazia um barulho do tipo embrenhagem ferrada. Fui conversando merda com o doido do meu lado nas Doze horas de vôo.

Chegamos a Lisboa atrasados 1 hora.

Lisboa é uma cidade muito bonita de cima. Deve ser do chao também.

Imigração. E eu pensando “Vamos ver o que esses filhos da puta vão dizer para dificultar minha entrada”.

 “Vem de onde? Vai para onde?”. Olhou o visto, carimbou.  E faça uma boa viagem.

Eu digo que fiquei surpreso.

Nessa altura eu estava com 80% de certeza que o visto resolve a sua vida em qualquer buraco.

A vinte minutos de embarcar, cheguei ao caixa eletrônico, para ver saldos e etc.

A maquina desligou com o cartão dentro

PUTA QUE PARIU

Devo dizer eu estava puto com Portugal por causa do meu visto negado ano passado. Mas a boa vontade do cara da informação mudou um pouco a imagem sobre a galera. Ele não resolveu, mas foi atencioso.

Agradeci, embarquei e thau. Foda-se. Chegar eu resolvo.

No caminho de Munique, eu passei por Madri, mediterrâneo, pelos Alpes e finalmente estive em um lugar de primeiro mundo.

Fiquei lendo alguma coisa, até dar a hora da sala de embarque, umas duas horas depois.

No lugar de primeiro mundo, as pessoas são chatas para caralho. Fui trocar dinheiro e perguntei alguma coisa só para mulher dar de ombros. Brasil mil vezes.

Me digiri a sala de embarque. Perguntas básicas da polizei. Olhar no visto e faça um boa viagem.

O Visto é meu herói.

Na sala de embarque comecei a ter noção de como eu estava frito.

Você nem consegue adivinhar o que a galera ta falando. O idioma que lembra russo dos filmes, uma língua tremida, enrolada e que voce antes de começar a pensar, tem a certeza que não vai aprender nunca.

Embarquei de novo, quarto vôo. Por sinal, um EMBRAER papito. A nave era um E-195

A Lufhtansa sabe o que é bom.

Duas horas e meia depois, o cenário lá embaixo começa a mudar. Começam a aparecer grandes áreas de campos, plantações. É possível notar povoações aglomeradas em pequenas áreas, são as famosas vilas do leste europeu.

Os prédios baixos, com grandes áreas em construção, começam a entregar que estamos chegando há Sophia e que a cidade começa a deixar o passado de satélite soviético para brigar para ser maior do que Praga, Bradistava e Atenas. Pelos menos, é o que eles dizem.

Quando eu cheguei ao aeroporto, fui para a PF deles. O cara olhou o visto, perguntou o que eu vim fazer aqui e por quanto tempo. “-Negócios. Trabalhar. Oito meses inicias”.

Ele pega, olha o visto, olha para minha cara e faz um telefonema.

Obvio que eu não entendo porra nenhuma.

Mas “visto” e “brasileiro” da para entender.

Nessa altura, eu era o ultimo cara do avião que ainda estava por lá.

Duas guardas chegam junto.

E eu falando com o cara que me mandou esperar. Papo na boa.

Ele me explicou que por algum motivo, a embaixada da Bulgária não colocou a data de retorno.

Eu disse que não sabia, mas que tinha a passagem de volta. Ele pediu, eu mostrei e o cara me disse para esperar a chefia. No papo que seguiu, com ele já fora da cabine, o bicho me perguntou qual era meu time de futebol. “Sport, grande potencia no Brasil”.

“Ah! Vou procurar”.

Uns 3 minutos depois, o chefe chegou, olhou para o visto deu um sorrirão “BRASIL”

E eu completei “Futebol, Samba, Pelé, Ronaldo, carnaval”.

A risada foi geral. A galera até tem humor.

A data de retorno estava no numero de dias embaixo.

Carimbo dado e tenha uma boa estadia.

Sai por ultimo, encontrei a figura que iria me deixar no alojamento com o nome “ANTONIO DE OLIVEIRA”.

Pensei na hora “de numero três”

Continua... 

12 comentários:

  1. Pensei em comentar quanto bairrismo, estereótipos e preconceito nesse post, mas desisti. Vc vai ter tempo pra estender seus horizontes e quando reler esse post daqui a 1 ano perceber isso por si mesmo. Boa Sorte.

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  2. Boa sorte Antônio! Tente aprender um pouco a língua, nível de turista! :)

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  3. Valeu por fazer a propaganda do Sport!:))

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  4. Olá, meu prezado, gostei da narrativa, com algumas ressalvas, mas gostei...Estou interessado em continuar acompanhando essa grande aventura...Esteja sempre com as minhas bênçãos...Sucessos!...

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  5. Tonzinho... AMEI o primeiro post!!! Rí muito [o papo Merda no avião... o cartão engolido pela máquina...] vibrei muito [Sport:uma potência do Brasil] e também chorei, confesso ["de número três": essa foi DEMAIS!!! Putz...] Enfim... continue desbravando os caminhos por aí e, claro, nos colocando a par de tudo [na medida do possível, lógico].
    Um beijo grande com saudade de todos nós. Lembre-se de pedir proteção, sobretudo a N.Sra.[que NUNCA nos abandona] :)

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  6. Tom,muito boa sua primeira parte da sua viagem, vê se manda fotos agora!!!, Um forte abraço do primo... há o Sport continua invicto, meu faturamento está aumentando, muitos clientes estão ligando..., agora posso escolher meus clientes.

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  7. boa antonio. espero em julho tomar um cafe por ai com voce. grande abraco Rafael medeiros

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  8. Adoerei!
    A parte do SPORT!
    Boa sorte amigo, tudo de bom nessa nova jornada e nos deixe informados tá?

    Bjssss

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  9. Rapaz, coisa feia mentir pra eles dizendo que o sportxi é um grande potência... tcstsc.

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  10. Ei, pô! Tu vais passar quanto tempo aí nesse país subdesenvolvido? Foste a trabalho ou vais fazer curso?
    Abraço, meu querido! :)

    Roma

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  11. Outra coisa: você escreve com uma naturalidade incrivel. É realmente gostoso de ler. Mais um talento que descubro em você! Parabéns compadre recifense!

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